Mercado de Livros - Portugal
15 de julho de 2020

Preço e valor – o que sua empresa tem vendido?

Nestes meses de pandemia tanto no Brasil, quanto em Portugal, onde moro hoje, proliferam as ações de descontos, cada vez maiores, nos sites de grandes varejistas e de editoras. Que consequências o mercado do livro como um todo, e as livrarias físicas em particular, sofrerão no pós-pandemia ainda é uma incógnita. “Existirá um mercado do livro?” pode ser uma pergunta pertinente também. Os clientes aceitarão mudar seu comportamento de compras e pagar o preço do livro sem descontos? É mais uma questão que fica sem resposta neste momento. Falei um pouco sobre minha opinião nesses assuntos em uma série de artigos aqui. Para eu não ser repetitivo neste assunto, compartilho as visões de outras pessoas sobre valor e preço.  

  • Por que alguém compra alguma coisa, seja um produto, seja um serviço?  
  • Quem compra algo da sua empresa é o quê?  
  • Sua empresa existe para atingir qual finalidade?  

Uma compra só acontece porque uma necessidade precisa ser satisfeita. Essa necessidade pode ser física e/ou psicológica. A pessoa que faz a compra é um cliente e, a sua empresa, deve ter por finalidade criar um cliente, atendê-lo e fidelizá-lo.  

Qual o preço do seu produto? Ele vale o preço pedido? Você sabe a diferença entre preço e valor na hora de apresentar o seu produto para o cliente?  

 Visões sobre valor e preço  

Jeff Bezos, CEO da Amazon, já disse que “Não estou preocupado com alguém que cobra 5% a menos. Estou preocupado com quem oferece melhor experiência.”  

E para Steve Jobs, CEO da Apple, “Nossa crença era de que se continuássemos apresentando ótimos produtos aos clientes, eles continuariam abrindo a carteira.”  

Preço NÃO é argumento de venda. Valor, sim. Que se venda satisfação, portanto.  

“Quando você vê uma empresa depender excessivamente de descontos e incentivos para impulsionar suas vendas, é um sinal de alerta. A liderança pelo preço é, sem dúvida, um sinal de produto ou serviço não diferenciado. Muitas empresas de marketing e vendas abusam dos incentivos e descontos. Isso porque é mais fácil vender por um preço menor do que trabalhar para convencer os clientes do valor inerente a um preço mais elevado. 

Também é da natureza humana preferir vender por um preço mais baixo a correr o risco de perder uma venda. O problema é que o comportamento adepto da concessão de descontos transmite uma mensagem aos consumidores de que a oferta não vale o preço pedido. Desse modo, é inevitável que os clientes simplesmente esperem uma oferta melhor. A venda baseada no preço é como um vício. A partir do momento em que o comportamento adepto dos descontos invade uma empresa, torna-se difícil controlar o hábito.” Saul Kaplan.  

Continuando  

Na visão de Philip Kotler “a promoção de vendas deve ser usada com parcimônia. A repetição incessante de descontos, cupons, ofertas e brindes pode desvalorizar a marca na percepção dos consumidores, e, talvez, leve o cliente a esperar pela próxima campanha, em vez de comprar agora.”  

Jack Welch, CEO da GE, já ensinou que “Qualidade é a nossa melhor garantia da fidelidade dos clientes, nossa defesa mais poderosa contra a competição externa e o único caminho para o crescimento e lucro sustentáveis.”  

Nessa linha, Steve Jobs deu um conselho à Nike: “Vocês produzem alguns dos melhores produtos do mundo, mas também fazem um monte de porcarias. Livrem-se das porcarias.”  

Concluindo   

Portanto, vamos investir nosso tempo em fazer melhores produtos e serviços, criar melhores experiências para os clientes com esses produtos e serviços, atender melhor os clientes, fazer com que comprem mais vezes ao longo do ano, ao invés de ficar pensando em quanto de desconto deve ser dado, em criar cupons e coisas do gênero.  

Cliente que vem por preço, por preço vai embora, assim como a margem (de lucro).  

Se você não cuidar do seu cliente, alguém o fará. 

Mercado de Livros - Brasil
6 de julho de 2020

A animosidade do mercado editorial – Parte 1

Muito se tem dito e escrito relacionado a esta pandemia de covid-19. Parece que uma das certezas é de que o mundo não será mais o mesmo. Num artigo anterior, conversamos sobre como a pandemia expôs fragilidades do mercado de livros. Até o imenso buraco na camada de ozônio sobre o Polo Norte não existe mais, neste momento. Agora, iremos tratar da animosidade do mercado editorial que também ficaram mais aparentes com a crise.

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